segunda-feira, 7 de junho de 2010

Professor garante não haver motivo para preocupação com necrochorume

Partindo do pressuposto de que o Hospital Regional de Uberaba será abastecido por água tratada, a probabilidade de contaminação pelo necrochorume é praticamente inexistente. A avaliação é do professor Paulo Veloso Rabelo, engenheiro agrônomo, consultor autônomo e perito ambiental. Ele procurou o presidente da Comissão de Meio Ambiente,vereador João Gilberto Ripposati (PSDB), para expor a sua opinião. Os dois visitaram alguns pontos na região em que será construído o hospital, quando ele fez  considerações a respeito da discussão com foco na possibilidade de haver risco de contaminação pelo necrochorume. O professor garante não ver razão para que a população se preocupe com esse fato.

Se for considerada a hipótese de faltar água pelo Codau e ser necessário usar água de poço profundo, ainda assim Veloso destaca que o risco de haver contaminação é extremamente baixo. Ele explica que pela topografia, o hospital será construído na parte alta do bairro, portanto, a declividade da área do cemitério fatalmente levará a água de chuva ou usada para lavar os túmulos para o lado oposto. "A água da chuva vai escorrer para o lado contrário ao do hospital. Não há como água escorrer para cima", frisa.

Outro ponto destacado por Veloso e que reduz o risco de contaminação, é  o fato de o terreno do cemitério ser areno-argiloso, ou seja, solo com alto teor de areia e contendo também pequena fração de argila,  que ao absorver a água e o necrochorume, permite que o solo do local seque de maneira rápida. Ele acrescenta que a área do cemitério é arborizada, o que também retira água do solo pelo processo de evapotranspiração. Comenta que o clima de Uberaba, que tem temperatura média entre 28ºC a 30ºC, favorece a evaporação ainda mais rapidamente. "Essa evaporação inclui água e o necrochorume  também", enfatiza. Além de a temperatura na cidade ser elevada, o professor revela que a pluviosidade, ou seja, a quantidade de chuva que cai em Uberaba, é expressiva. Ele conta que o município chega a receber 1.600mm de chuva por ano.   Considerando que o cemitério compreende uma área relativamente pequena, em torno de 2hectares, o cálculo de Veloso indica que ela receberia 320 mil litros de água da chuva, que diluiria a solução do solo(água e necrochorume), reduzindo em muito o risco de contaminação do local, de acordo com os pontos já abordados.

Quanto à  possível proliferação de mosquitos na área, Veloso explica que a região em que será erguido o hospital é bem iluminada e ventilada. "Ele estará em local até mais adequado do que os demais hospitais públicos da cidade", diz.  Abaixo do cemitério, ele comenta que estão situados bairros em que há muitos lotes vagos, até se chegar ao rio Uberaba. Por não ser muito habitada, o professor explica que os processos de evaporação (perda de água pelo solo) e evapotranspiração (perda de água através da vegetação), funciona na área de forma ainda mais efetiva, diminuindo quase que completamente o risco de haver contaminação.

Veloso entende que para se afirmar que há contaminação é preciso provar e ele desconhece qualquer publicação científica a respeito de caso de contaminação por necrochorume em Uberaba. O professor lembra que a 60 metros da área escolhida para edificar o hospital, existem o Hospital Veterinário de Uberaba e a Fazu-Faculdades Integradas de Uberaba, que são abastecidos por poço profundo instalado há mais de 15 anos. "Não há registro de intoxicação e nem de morte por necrochorume e o local fica abaixo da cota de nível do cemitério", reitera.  Se não há histórico de contaminação provada, Veloso entende que não existe motivo para que a população fique apreensiva. "Não descarto que possa haver nível de contaminação, mas se existir é extremamente baixo", pondera.

Ao vereador Ripposati, o professor Veloso apresentou uma sugestão que pode ser considerada pela Prefeitura de Uberaba. Ele observa que há um reservatório de água gigantesco na avenida Nenê Sabino onde está perfurado um poço profundo no Aqüífero Guarani, que poderia receber canalização, por meio de um emissário, e abastecer diretamente a caixa-d´água do futuro hospital. "Isso se pairar ainda alguma dúvida", salienta. Ele revela que decidiu procurar Ripposati por perceber que a discussão tem tomado uma proporção desnecessária e que pode colocar em risco o grande investimento que beneficiará de maneira inquestionável a população de Uberaba. "Não sou filiado a nenhum partido político, faço esse apelo como cidadão e como técnico conhecedor do assunto", finaliza.  

Rose Dutra
Assessoria de Comunicação

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